''Com extrema sabedoria procedem os Espíritos superiores em suas
revelações. Não atacam as grandes questões da Doutrina senão gradualmente, à
medida que a inteligência se mostra apta a compreender verdade de ordem mais
elevada e quando as circunstâncias se revelam propícias à emissão de uma ideia
nova. Por isso é que logo de princípio não disseram tudo, e tudo ainda hoje não
disseram, jamais cedendo à impaciência dos muito afoitos, que querem os frutos
antes de estarem maduros. Fora, pois, supérfluo pretender adiantar-se ao tempo
que a Providência assinou para cada coisa, porque, então, os Espíritos
verdadeiramente sérios negariam o seu concurso. Os Espíritos levianos, pouco se
preocupando com a verdade, a tudo respondem; daí vem que, sobre todas as questões
prematuras, há sempre respostas contraditórias. Os princípios acima não
resultam de uma teoria pessoal: são consequência forçada das condições em que
os Espíritos se manifestam. É evidente que, se um Espírito diz uma coisa de um
lado, enquanto milhões de outros dizem o contrário algures, a presunção de
verdade não pode estar com aquele que é o único ou quase o único de tal
parecer. Ora, pretender alguém ter razão contra todos seria tão ilógico da
parte dos Espíritos, quanto da parte dos homens. Os Espíritos verdadeiramente
ponderados, se não se sentem suficientemente esclarecidos sobre uma questão,
nunca a resolvem de modo absoluto; declaram que apenas a tratam do seu ponto de
vista e aconselham que se aguarde a confirmação. Por grande, bela e justa que
seja uma ideia, impossível é que desde o primeiro momento congregue todas as
opiniões. Os conflitos que daí decorrem são consequência inevitável do
movimento que se opera; eles são mesmo necessários para maior realce da verdade
e convém se produzam desde logo, para que as ideias falsas prontamente sejam
postas de lado. Os espíritas que a esse respeito alimentassem qualquer temor
podem ficar perfeitamente tranquilos: todas as pretensões insuladas cairão,
pela força mesma das coisas, diante do enorme e poderoso critério da
concordância universal."
(Extraído do Evangelho Segundo o Espiritismo, pág. 25)
(Extraído do Evangelho Segundo o Espiritismo, pág. 25)










